sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Não


O cabeludinho mora mesmo no meu bairro, passou hoje de cabelo molhado e menos volume. Tem um rosto lindo, mas não me olha mais. Fez como o Léo, só seduz pra confirmar que sou gay, depois, para de me olhar com medo de que me interesse ou espalhe por aí que andou me secando. Outro dia, mesmo com chuva, fui paquerado. Ao olhar para o lado, aquele adulto charmoso que passa me olhando e que eu nem lembrava, me secou. Ontem no “Amor e Sexo” fizeram novamente a roda da diversidade, mas com enfoque para a visão da religião. Só caiu uma vez na posição travesti, o resto era “simpatizante” e acho que havia boicotagem naquela roda pra não ficarem só no tema gay. No final, distribuíram um papelão grande em alto relevo com a palavra não, para todos, inclusive o padre, o rabino e o pastor, e Fernanda Lima disse “Não de Não ao preconceito e a homofobia” e ainda cantaram como saideira a música Toda Forma de Amor. Começei a pensar em beijar um futuro namorado e sei lá se por sugestão, minha energia ficou sedutora e só atraí mais olhares. Bolsonaro não perde a oportunidade, disse que só era contra o kit gay: “você não quer ver seu filho virando boiolinha na escola”. Primeiro que usou termo pejorativo, depois que ninguém vira e por último que se virasse qual é o problema? Se ele não fosse homofóbico diria: “não querem que seu filho tenha uma vida sexual precoce”; afinal, depois que a criança vira adulta, o que os outros tem a ver com a forma sexual dela? NADA.

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