Um moreno de camiseta branca, bem clean, me fez olhar pra trás, alguns bem adolescentes me paqueraram. Um de boné na frente do shopping era bem viril, mas notei um brilho diferente no olhar, só não me olhou porque ficou tímido. O cara da lanchonete que sempre me olhava quando soube que eu era gay e até com tom de homofobia, de repente estava conversando com seu vizinho assumido numa boa, então ele não é tão homofóbico assim. Acho que aquele feioso da parada é michê mesmo, estava todo sarado e bem vestido em ambas as praças. Fiquei refletindo sobre a paternidade do Ricky, mas acho estranho as crianças crescerem e um dia não terem uma mãe, será que não soa algo meio egoísta? Por mais que tenham filhos que não tenham mãe, foi uma escolha do pai e não circunstâncias da vida.
Se estes caras não são gays por que me olham tanto? E os bis que estão mais camuflados ainda que os homos? O loiro da papelaria estava entrando no carro e de longe o vi, ele também. Ao passar do lado do carro, eu estava olhando do outro lado da rua pra outros caras, mas percebi ele olhando. Olhei de volta só admirando sua beleza. O danado olhou curioso mas depois disfarçou. Pensei em ver o Rodrigo do teatro e ele apareceu, o cumprimentei. Morava 2 quadras abaixo da minha casa, namora e tudo, mas a irmã dele é meio estranha. Ele vivia pra cima e pra baixo na cidade, visível, agora sumiu. Na GNT também passou os documentários “Hijras: o Terceiro Sexo”, “Um Amor na Trincheira”, “Sou Gay, e Daí? e entrevistas com cientistas americanos que alegam ter descoberto o gene gay.
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