Na festa junina que fui, fiquei mais a vontade, revi aquele que me olhava demais, só que dessa vez ele estava acompanhado com mulher. Tinha outros bonitões que deviam saber que sou gay porque quando não era a namorada era ele me investigando com os olhos. Sabe aquelas idiotas heteros que vivem comentando da sexualidade dos outros para o namorado e devem até cutucar o namorado pra ver se olho pra ele. Uma outra casada me olhou com o tesão de sempre, uma garota interessante estava no clima querendo ficar comigo, ah se eu fosse mais jovem. Tinha muita gente de fora, não sei se alguns eram gays lá, uma parecia ser lésbica. Uma hora um parente chegou me chamando por outro nome e eu não vi, até que ele falou “o viado”. Fiquei olhando pra cara dele pra ver se ele estava falando sério. Ele riu numa boa e o tratei normalmente, esqueci que tem este hábito de chamar de viado desde pequeno. As pessoas ao redor ficaram meio que olhando pra mim esperando alguma reação, me deu a impressão de que sabiam que eu era gay e se eu não iria tomar alguma atitude na hora. E também não sei se o cara depois se fez de simpático e legal com medo da minha reação ou se ficou mesmo contente em me rever. Tinha uns carinhas que passavam por mim me medindo de mais. Credo, ou me acharam bonito, são desses que ouvem falar que sou gay e passam todos curiosos esperando eu demonstrar ou dar em cima, ou então são enrustidos com seu gaydar afinado. Um conhecido não parava de vigiar pra onde eu olhava e, claro, era para os bonitos.
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